Mar 11
Ah, as delícias da vida na academia…
Esta semana, vivenciei uma experiência bastante desagradável, cuja natureza me levou à decisão de comentá-la neste blog. Um doutorando de uma instituição localizada em outro estado convidou-me para integrar sua banca de examinadores (não, a elegância não me permite revelar o nome dessa instituição). Apesar de a data não ser das mais favoráveis, aceitei com gosto o convite. Já conhecia o doutorando – pessoa de grande seriedade, talento e densidade intelectual –, bem como seu orientador, um dos maiores pesquisadores da comunicação no pais, segundo minha opinião. Na maioria dos programas de pós-graduação, as bancas de mestrado e doutorado são escolhidas pelo candidato e seu orientador, em comum acordo. Contudo, entre as diversas peculiaridades dessa instituição específica está o fato de que ali nem orientando nem orientador tem livre escolha sobre os integrantes da banca. O candidato tem que preparar uma lista de possíveis participantes em ordem de prioridade e apresentá-la ao colegiado do programa, que possui o privilégio divino de vetar nomes ou alterar ordens de preferência. Pois bem, depois de várias negociações em relação à data e composição da banca, recebo um constrangido email do candidato informando-me que o colegiado havia, por razões inexplicáveis, saltado meu nome e homologado como integrantes da banca as opções secundárias de sua lista – pesquisadores da maior competência, sem dúvida, e um deles inclusive grande amigo meu. Entretanto, sem qualquer justificativa para a atitude, o direito de escolha do candidato e do orientador fora menosprezado, criando uma situação desagradável para o futuro doutor e uma indisposição desnecessária com o antigo doutor “desconvidado” em relação à instituição. Neste momento, não vale a pena investigar qual das patologias características do nosso sistema acadêmico tal atitude nos revela. Mais apropriado é simplesmente apontá-lo como um dos muitos sintomas localizados que exprimem, porém, um quadro de problemas mais amplo. Nessas horas é que me pergunto por que, afinal de contas, decidi retornar ao Brasil…
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hahahaha
Daria uma bela crônica!