Archive for August, 2009

Mistérios da Tecnologia…

August 25th, 2009 | Category: Uncategorized

De algumas semanas para cá eu comecei a enfrentar alguns problemas com minha conexão.  Eu iniciava o Vuze (Azureus), conhecido software de protocolo bittorrent, e minha internet começava a cair.  As velocidades de download eram baixas e não dava para fazer mais nada na rede, mesmo a navegação em outras máquinas morria.  Achei que o problema estava no Azureus e troquei pelo uTorrent.  No início, parecia que tinha conseguido resolver a coisa: as velocidades melhoraram e eu conseguia navegar.  Contudo, mesmo assim não chegava às velocidades que deveria alcançar.  Alguns dias depois, porém, voltei a ter o mesmo problema.  Fiquei semanas quebrando a cabeça.  Achei que o problema era a Velox, minha conexão, traffic shaping…  Hoje eu estava já para desistir, acreditando que a dificuldade era ou no Velox ou no meu modem antigo (cedido pela própria Velox, um Huawey).  Entretanto, resolvi fazer uma experiência.  Abri o browser na interface do meu roteador (um super-novo DLink DIR-615, comprado nos EUA).  Na página de status da wan, percebi que a conexão estava caindo o tempo.  Aí resolvi fazer uma experiência diferente: e se o problema estiver no meu novíssimo roteador e não no modem ou na Velox?  Bom, peguei meu pré-histórico DLink 614, pobrezinho, de baixo alcance, mas super-fácil de mexer e que nunca me deu problemas.  Tirei o DIR-615, pus o dinossauro no lugar e pimba!  Estou no uTorrent carregando o episódio 10 da segunda temporada de True Blood a 400 kB/s enquanto navego tranquilamente na outra máquina.  Nem me lembro de ter chegado perto dessa velocidade com o outro moderníssimo roteador ligado nas minhas máquinas.  Numa hora dessas a gente se pergunta: o que há de errado com esse mundo das tecnologias?  É bem possível que o problema esteja em mim, que não soube configurar o roteador novo…mas não, acho que não…

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Fé demais não cheira bem

August 12th, 2009 | Category: a vida como ela é...

É o título de uma comédia excelente de 1992 com o Steve Martin. Pois é, acreditar é importante, mas acreditar cegamente é etsupidez. Finalmente a justiça se mexeu e temos um processo criminal correndo contra o Bispo Amassado. Não existe nada mais abominável do que explorar a fé (e ignorância) dos simples. Tomara que seja o começo do declínio desse império do mal. O crescimento desordenado e sem critério das igrejas evengélicas me assusta. Fico imaginando um futuro apocalíptico como aquele do filme de Volker Schlondorff, “The Handmaid’s Tale”, baseado no romance de Margaret Atwood, no qual o mundo é dominado por facções de seitas fundamentalistas cristãs em perene conflito. Aliás, vale a pena assistir (pena que não saiu por aqui), já que os perigos que nos apresenta talvez estejam mais próximos do que podemos imaginar.

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Crise IX (diagnósticos)

August 06th, 2009 | Category: universidade

“Pero la universidad chilena más interesada en su rentabilidad performativa como institución del conocimiento, paradojalmente, exhibe una contradicción estructual: es moderna en su afán de lucro y tradicional en su celo disciplinario. Los estudios culturales investidos de todo tipo de ilusiones y fraudes no han tenido lugar en la academia chilena, ocupada en multiplicar los logros de la modernización y entregar el saber a la nueva burocracia global de los asesores financieros, los estrategas corporativos o los inventores de nichos informáticos. Sin duda, la situación es más compleja de lo indicado, pero la formalización universitaria tiende a consagrar la hegemonía de lo útil, en su versión más transparente, el mercado. La universidad nacional, mito desarrollista por excelencia, se hunde en el desfinanciamiento progresivo y el desprestigio cultural, y sólo puede recurrir a viejos símbolos de autoridad académica signados por una defensa extrema y ciega de lo disciplinar” (Carlos Ossa, Saberes académicos y modernización, p. 15). Penso que todo o argumento de Ossa - ainda que com pequenas diferenças - é igualmente aplicável ao ambiente universitário brasileiro. Aqui, pelo menos na grande área das Ciências Humanas, enfrentamos um violento complexo de inferioridade que nos leva, muito facilmente, a engolir e adotar o discurso produtivista. Não haveria nada de essencialmente errado nesse discurso se ele se contentasse em exigir dos pesquisadores seriedade, trabalho e competitividade. O problema é que ele peca ao importar de outras áreas e contextos geográfico-culturais os seus parâmetros. Uma pesquisa que não seja “util” segundo crtérios oriundos das ciências duras está condenada ao inferno da academia. Mesclamos aqui esse complexo de inferioridade cultural a um delírio que nos leva a buscar padrões de excelência irreais e equivocados. Imitamos o que há de pior lá fora e somos diferentes no que há de melhor. Por exemplo, não consegui enxergar em meus anos de vida acadêmica nos EUA ou em minhas curtas incursões européias nada parecido à paranóia disciplinar que nos impele por aqui, de forma especial no campo da comunicação. E não há livro, tese ou estratégia retórica que me convença de que alguém, nestas terras tropicais, saiba onde termina e começa a frondosa “comunicação”. Por que, então, não nos envergonhamos aqui de montar bibliografias modelares a partir de autores que lá fora pertencem a departamentos de Literatura Comparada ou Filosofia? A bem da verdade, essas distinções ou não existem ou são insignificantes fora do Brasil. Pensadores como Jonathan Crary, por exemplo, costumam atuar em vários departamentos de uma mesma instituição, sem qualquer espécie de crise de identidade. Por aqui também temos o costume de estabelecer certas agendas de pesquisa, determinando o que é ou não importante (ou útil e estratégico). Contudo, facilmente se esquece da dimensão ideológica dessas agendas. É certo que todos nós estamos sujeitos a determinantes ideológicos, a pontos cegos de várias naturezas, mas é típico do “pensamento institucional” (como o da Capes) não enxergar seus próprios vetores ideológicos, ou melhor, simplesmente negá-los. Na verdade, o ideal desenvolvimentista e progressista tem ainda imensa força na terra Brasilis. Essa visão é todavia cega a qualquer idéia de progresso de matriz espiritualista. Só existe progresso e bem estar numa dimensão material. Há alguns anos atrás se ouvia freqüentemente a crítica ao teor “ensaístico” de boa parte da produção em comunicação no país. Cansado de ler a bibliografia estrangeira sobre cibercultura (uma palavra que em breve pretendo abandonar por completo), sou forçado a me render à evidência de que pelo menos 80 por cento dela é precisamente de natureza ensaística. E não dá para enxergar nada de ruim nisso. Acho que o problema é, isso sim, a qualidade do ensaio, não suas estruturas discursivas intrínsecas. Precisamos de pesquisa “aplicada”? Sim, naturalmente que precisamos. E cada vez mais. Mas devemos abdicar do ensaio e da pesquisa de reflexão ou matriz filosófica? Não, definitivamente não. Isso seria, realmente, declarar o último estertor da academia por aqui. Precisamos justificar nossas atividades segundo parâmetros adequados a cada área? Não, isso seria ir na contramão do que se passa no resto do globo. É certo que essa separação disciplinar tem razões ideológicas, políticas e econômicas. E gera um competitivismo da pior natureza, que nada tem de saudável, além de produzir nas mentes dos jovens pesquisadores uma forma de pensar tacanha, limitada e, em última instância, mortal ao verdadeiro pensamento. Diante desse cenário, o que fazer? Chegaremos lá…

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