Archive for January, 2009
Vampiromania
A mitologia dos vampiros é sedutora e longeva como essas próprias criaturas. Poucos mitos são dotados de tanta pregnância e poder simbólico. Nos últimos tempos, eles parecem ter retornado à moda, com uma enxurrada de livros e filmes que se alimentam das histórias e mitologias dos sugadores de sangue. Acabei de baixar e assitir a primeira temporada de “True Blood”, a nova série premiada da HBO.

Sim, a série é bacaninha, mas o maior interesse dela está nos detalhes. Falha em bastante coisa, descamba em alguns estereótipos, porém é bem sucedida em criar a ambiência apropriada a uma boa história de vampiros. O mais interessante é a premissa de True Blood. Os japoneses acabaram de desenvolver com perfeição uma imitação sintética do sangue humano e, em função disso, os vampiros decidiram finalmente se assumir (”to come out of the coffin”), revelando-se abertamente aos mortais e buscando uma participação efetiva na vida social. Eles têm uma ONG, defendem seus “constitutional rights” e querem viver entre os mortais levando uma vida (quase) humana…Bom, nem todos. Na verdade, à s vezes temos a impressão de que o suposto mocinho da história (o vampiro Bill) é o único de sua espécie realmente interessado na assimilação (mas será mesmo?). A história se passa numa pequena cidade da Lousiana chamada Bon Temps. Lá vive Sookie Stackhouse, garçonete da mais popular lanchonete do local, a Merlottes. De certo modo, Sookie também uma criatura estranha, inteiramente fascinada pelos vampiros - em especial por Bill - e também dotada de poderes sobrehumanos: pode ler a mente de todas as pessoas com extrema facilidade (à exceção dos vampiros, naturalmente). Toda a primeira temporada gira em torno de uma série de assassinatos que abalam a pequena comunidade sulista. Todas as mulheres que tiveram relaçõe sexuais com vampiros (uma coqueluche no mundo de “True Blood”) são impiedosamente mortas uma a uma… já percebemos que nossa heroÃna Sookie irá correr constante perigo. Um outro conceito interessante da série é a noção de que o sangue dos vampiros é vendido como uma droga poderosÃssima, capaz de amplificar os sentidos (e, claro, a libido) dos humanos. Evidentemente, trata-se de atividade muito perigosa para os traficantes de “V”(sangue de vampiro), como se pode imaginar. A série foi conceptualizada pelo mesmo criador do excelente “Six Feet Under”, com base na novela serial “The Southern Vampire Mysteries” (8 livros publicados), de Charlaine Harris. Não me despertou muito interesse a forma como a figura dos vampiros é usada para emblematizar as minorias e oferecer certa sobrevida ao discurso politicamente correto. Esse é um recurso antigo e foi utilizado com muito mais felicidade na excelente série “Alien Nation” (1989-1990). O que gostei em “True Blood” foi a forma imaginativa como o mundo de Bon Temps foi criado, o trabalho visual, a trilha sonora, a ambientação e, acima de tudo, a construção das personagens Sookie e Bill (otimamente interpretados por Anna Paquin e Stephen Moyer), seres complexos, atormentados e multifacetados. Além disso, é preciso assistir a cada episódio mais de uma vez, para captar as referências sutis que, mais tarde, irão colaborar para tecer a rica teia narrativa da série. A primeira temporada, pelo menos, é um jogo sutil de atenção de que espectador tem de participar o tempo todo.
Mas não é só de True Blood que (re)vivem os vampiros contemporâneos. Se o que buscamos é um filme estranho e realmente diferente sobre vampiros, então encontraremos isso em “Let the Right One in” (2008), pequena jóia do cinema (de horror?) norueguês que conta a história da difÃcil (mas visceral) amizade entre Oskar e Eli, duas crianças de 12 anos que sofrem da terrÃvel patologia da inadequação social. Mas com um detalhe importante: Eli é uma vampira.

Sombrio, envolvente, forte e bem interpretado, “Let the Right One In” consegue realmente trazer uma renovação ao gênero, que possui uma larga tradição de sucesso no cinema, de Nosferatu (1922), de Murnau, a Dracula (1931), de Tod Browning, ao belo The Hunger (1983), de Tony Scott. Outro filme pouquÃssimo comentado, mas que vale a pena assistir, é o curioso “The Wisdom of Crocodiles” (1998), de Po-Chih Leong.

Quem sabe para a próxima Socine meu trabalho não cairá também vÃtima dos poderes de sedução dos vampiros?

Para quem quiser consultá-la, aqui vai uma interessante lista dos “70 melhores” filmes de vampiros de todos os tempos.
Também vale a pena ler este fascinante texto de Peter Weibel (em inglês e alemão) sobre fantasmas e vampiros.
No commentsAlgumas Dicas do iPhone
Bom, agora que já louvei os aspectos hápticos do iPhone, vale a pena dar umas dicas no sentido de ajudar quem também comprou o aparelho ou pensa em comprá-lo. Se você adquiriu o iPhone por meio de uma operadora nacional, saiba que tem o direito de exigir seu debloqueio imediato. Com isso, você passa a ter um aparelho com desbloqueio original que pode usar chips de qualquer operadora. Quando comprei o meu solicitei que fizessem isso na hora. Quando cheguei em casa, foi só me conectar ao iTunes que o aparelhinho foi liberado. Aliás, na iTunes store existem milhares de softwares que você pode baixar de graça (ou pagando valores em torno de U$ 1,00). Após pesquisar um pouco, eis uma lista dos que valem a pena ter no seu iPhone:
1. iBlogger: se você é blogueiro e gosta de atualizar seu blog o tempo todo (em viagens, por exemplo), tem que ter esse aplicativo, com ótima interface e fácil de usar. Com ele você escreve, visualiza seus posts e controla seu blog à distância;
2. Fring: fantástico para falar com seus amigos através de Skype, MSN e outros comunicadores. Se você tiver uma conta Skype out e estiver num local com rede wireless, pode até fazer uma chamada internacional por meio do Skype para um telefone normal;
3. Twitterrrific: para os que gostam também de “microblogging” e têm uma conta no Twitter, este aqui é indipensável;
4. Air Sharing: um grande problema do iPhone é ele nõa poder armazenar ou ler documentos (como se fosse um HD portátil, o que na verdade ele é). Com o Air Sharing você consegue guardar e ler documentos no seu iPhone usando sua rede wireless. É fantástico e vale os U$ 5,00 que custa;
5. Currency e Conversions são dois aplicativos de conversão (para tudo: moedas, peso, temperatura) úteis para que viaja para outros paÃses e tem de fazer conversões para outros sistemas métricos;
6. Newsstand: para os que gostam de ler blogs e têm muitos feeds armazenados, a pedida é o Newsstand, com uma interface linda para você não perder nenhum post de seus blogs favoritos (esse é pago, mas também vale cada centavo);
7.Google search com voz (só está disponÃvel na App. store americana). Você fala o que quer buscar e ele ativa o mecanismo do Google. Divertido.

Mais uma dica importante: infelizmente, aqui nas terras tupiniquins não temos acesso a uma conta da iTunes store (apenas podemos acessar a App Store). Isso é muito chato, porque a loja americana tem inclusive outros aplicativos grátis que não existem na loja brasileira. Além disso, você pode assinar gratuitamente podcasts e conseguir outras coisinhas gratuitas sem necessidade de usar um cartão de crédito americano. Bom, atualmente existem alguns macetes que funcionam para abrir uma conta na iTunes store. Se quiser saber como, veja este link.
No commentsiPhone…
Yep, I love the iPhone
No commentsiPhone, Hapticidade e outras Novidades

Sim, após meses de reflexão, pesquisas, fascÃnios e desapontamentos eu resolvi adquirir um iPhone. Estava dividido entre o HTC touch Diamond e o iPhone, mas depois de muito avaliar prós e contras resolvi dar uma chance ao iPhone. Não me arrependi. É verdade que tem muitos problemas e fraquezas, começando pela ridÃcula câmera de 2 megapixels (inferior a de todos os smartphones disponÃveis no mercado hoje) e terminando pelo irritante sistema proprietário da Apple (que leva muita gente a fazer o “jailbreak” de seus aparelhos). Entretanto, depois de mais de uma semana ainda não cansei de brincar com o novo gadget. E a iTunes Store me ofereceu alguns momentos deliciosos de diversão e consumo sem culpa. Como descrever o iPhone? É preciso começar por sua simplicidade e “lisura”. O iPhone é apenas uma tela e um botão, com dois outros botões laterais para silenciar ou ligar/desligar o aparelho. A sensação de sua superfÃcie lisa na mão é muito gostosa. Sobre essa lisura do iPhone e sua semelhança com um Ãcone da cultura cinematográfica (2001: Uma Odisséia no Espaço), ver meu artigo Think Different: Estilos de Vida Digitais e a Cibercultura como Expressão Cultural . Mas existe outro aspecto da simplicidade do iPhone que vale a pena explorar: seu caráter ilusório. Sim, o gadget é simples apenas à primeira vista. Quando inativo ou desligado é apenas um bloco de metal com vidro. Quando ganha vida, através de um simples e prazeroso deslizar de dedo na tela, ele se transforma em algo completamente diverso, cheio de vida, imagens e sons. A tela inicial, com seus vários Ãcones, nos oferece de inÃcio perplexidade. Que vamos fazer com essa caixa de mil possibilidades? Por onde começar? Que mistérios podemos desvelar? Há um erotismo envolvido nessa descoberta das suas mil possibilidades, bem como na suavidade do toque na tela absolutamente lisa. Se passo meu dedo rapidamente na lista de contatos, ela desliza velozmente como seu tivesse girado uma roleta. Se toco o Ãcone com muita força ele pode não abrir o aplicativo desejado. Preciso desenvolver uma “hapticidade da suavidade”. O iPhone quer ser tocado com gentileza. Meus dedos sentem o frio da tela como se fosse um ser vivo que quer ser acariciado. Adorei ficar apertando o botão de apagar do email e ver minhas mensagens indesejadas serem amassadas para entrar na pequena latinha de lixo no menu inferior do programa. Passo o dedo na tela inicial num movimento trasnversal e se sucedem os vários Ãcones dos muitos brinquedos que obtive na loja do iTunes (a maioria de graça!). Entro no “Face Melter”, onde toco os rostos de amigos em fotos armazendas na memória do iPhone e vejo-os desfazendo-se como cera derretida. Mexo o dedo e contorço feições, crio monstruosidades ou anamorfoses, sentindo no meu toque um simulacro de tridimensionalidade. Abro uma página no navegador ou uma imagem e faço um movimento de abrir dois dedos para ampliar o que estu vendo. Tudo é intuitivo e natural, ao mesmo tempo que cheio de fascÃnio com o poder da tecnologia. Entendo finalmente (em modo hápitico) o que significa “multitoque”. Ao atender uma chamada, encosto-o no rosto e sinto esse contato como algo pessoal. De repente, quem fala comigo está mais próximo. Não há superficies estriadas, teclados ou outros impecilhos. Apenas essa lisura que me leva a sempre erotizar o aparelho. Gosto de tocá-lo, gosto de sentir essa perfeita superfÃcie lisa contra meu corpo. Que dizer do design? Gosto da cor preta (existe também o modelo branco). Ela me ajuda a imaginar esse caráter misterioso do aparelho. Uma caixa preta…quando se escurece sua tela, o iPhone me oculta os segredos que habitam no seu interior luminoso. O discreto quadro metálico em volta da tela, com suas curvas suaves (não há uma “esquina” ou canto duro no iPhone), serve apenas para realçar aquilo que deve ser o foco de minha atenção. Essa tela que é um espelho de Alice (na qual à s vezes me vejo refletido), escondendo um mundo de promessas ao alcance de alguns delicados movimentos. Tenho dificuldades para usar o teclado, de pequeno que é (e grandes os meus dedos), mas noto que a cada tentativa vou adquirindo um “saber” corporal que coloca com precisão a ponta de meu dedo no caractere desejado. Além disso, a própria tentativa de acertar no quadradinho desejado já tem uma dimensão lúdica. E posso contar com a inteligência do aparelho, que, com um dicionário embutido, tenta adivinhar o que quero escrever. Em resumo, o iPhone me seduziu. E se consigo ver racionalmente a enormidade de deficiências que ele possui, inclusive em relação a meu smartphone anterior, o Nokia N95, o as sensações que me provoca compensam, num plano de irracionalidade emocional, todas as perdas. Num próximo post, vou dar umas dicas sobre o aparelho e alguns softwares que tenho testado.
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