Archive for the 'navegar é preciso...' Category

Real friends are forever

December 15th, 2009 | Category: navegar é preciso...

image422038584.jpgDepois do almoço no Versailles e de um singular passeio em Melrose, segui para Hollywood para encontrar meu amigo Tony Potter. Tony é uma daquelas almas gentis e suaves que raramente encontramos na vida. Foi meu melhor amigo nos anos da UCLA. Depois de conceder ao meu lado nerd uma visita a exposição sobre Star Trek, passeei com Tony na “walk of fame” e em seguida jantamos num obscuro restaurante chinês.

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MJT

December 13th, 2009 | Category: navegar é preciso...

O Museum of Jurassic Technology é sempre um lugar fascinante para se visitar. Seus corredores escuros, seus displays antigos, a sensação de que algo sempre está fora de lugar colaboram para criar essa sensaçäo de espanto profundamente barroca. Desta vez (talvez a sétima em que volto lá), assisto a um filme sobre astrônomos russos - algo entre cinema experimental e documentário. Ao entrar na última sala, vejo um cachorro (galgo russo, acho) languidamente deitado e uma mulher bonita sai de trás de uma misteriosa cortina. Vestida com elegância, mas como se viesse de outros tempos (com um gorro de pele russo), ela me pergunta: “would you like some tea?”. Por um momento me peguei pensando: “isso é real ou ilusório?”

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E tenho dito…

October 04th, 2009 | Category: navegar é preciso...

I don’t hate Badiou or Agamben. I just fail to grasp why anyone is excited by Badiou’s severe reductionism, or Agamben’s mournful archaism.

(do Twitter do Steven Shaviro)

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“Pensadores Esquecidos que Adoraríamos ter Lido”

September 30th, 2009 | Category: navegar é preciso...

Inauguro com este post uma nova série, a dos pensadores esquecidos que adoraríamos ter lido.  Lembro com riqueza de detalhes: pelos idos de 1997, passeando pela infinita e mágica biblioteca da UCLA, encontro o raríssimo Gottlose Mystik, de Fritz Mauthner.  Abro o livro e me deparo com essa belíssima frase, que usarei como epígrafe do primeiro capítulo de “Sliêncio de Deus, Silêncio dos Homens”: “Früher, ja früher, da die Welt noch jung war, gab es eine einzeige Sehnsucht, und die war stark, stärker als  die Liebe, doppelt stärker als de Tod” (”Cedo, bem cedo, quando o mundo ainda era jovem, havia um único anseio, e ele era forte.  Mais poderoso que o amor, duplamente mais poderoso que a morte”).  Nestes últimos meses tenho reencontado Mauthner, e por alguma espécie de misteriosa conjunção astronômica venho colhendo esporádicas referências a ele nas mais variadas leituras.  Agora, como realmente sofro de síndrome de déficit de atenção, resolvi comprar e ler esse livrinho que descobri passeando pela Powells: “Metaphors of Knowledge: Language and Thought in Mauthner’s Critique”, da Elizabeth Bredeck.  Em “Silêncio de Deus, Silêncio dos Homens”, usei algumas referências do trabalho de Silvia Dapía Die Rezeption der Sprachkritik Fritz Mauthners im Werk von Jorge Luis Borges para sugerir que a leitura prematura do austríaco refletiu-se através de toda a obra de Borges, por exemplo, na elaboração das línguas imaginárias de Tlön.  Sem relação direta com a bibiografia que estou lendo para o novo módulo da pesquisa CNPq (Cibercultura e teoria da mídia alemã), a reflexão de Mautner me interessa por sua convergência com certas tendências contemporâneas.  Seu conceito de um continuum inseparável entre mente e corpo ou sensação e conhecimento (em lugar de qualquer espécie de dualismo), por exemplo.  Outra razão para ler sobre esse cara, em meio a tantos outros compromissos e leituras prioritárias, encontra-se no curso de graduação de Tópicos II sobre Comunicação e Filosofia.  Não sei se vou fundir a cabeça dos alunos com essas referências (Mauthner, Flusser, Mark Hansen…) ou destruir minha fama como professor com discurso inteligível, mas acho que vale a pena arriscar.  Mesmo na graduação temos que ter algum espaço para ousar um pouco, para mexer com as cabeças.  Se isso não acontecer, a universidade se converte em mero escolão técnico…

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Sinceridade

September 03rd, 2009 | Category: navegar é preciso...

É muito belo realmente o livro de Graham Harman, “Guerrilla Metaphysics” (sobre ele, ver meu outro blog).  Hoje, ao me deparar com sua noção de “sinceridade”, pus-me a refletir sobre um monte de coisas.  Guimarães Rosa dizia que o estilo de um homem é seu destino.  O destino não contraria de forma alguma a liberdade.  Ou então talvez a liberdade seja algo “overrated”.  O fato é que todas as coisas insistem em perserverar em seu ser.  A pedra quer ser pedra.  Eu quero ser eu.  Borges talvez tenha sido o escritor que mais lindamente meditou sobre isso.  Não sei se Harman já o leu.  Em “Biografia de Tadeo Isidoro Cruz”, Borges conta a estória do sargento que segue com suas tropa para capturar o desertor Martín Fierro. Contudo, ao observar a coragem e força com que o gaucho luta, o sargento Cruz percebe que seu destino é estar ao lado dele e tornar-se também um pária.  Abandona seus soldados e junta-se a Fierro, peleando contra eles.  Em meio a tudo de acidental que fazemos deve haver um núcleo duro, algo que garanta nossa singularidade absoluta e nosso destino único.  Entregar-se a ele talvez sejao o maior ato de liberdade que nos cabe.

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Traité du Mystère (Alfred Wild)

July 25th, 2009 | Category: navegar é preciso...

L’homme qui pense est un poisson jeté sur le sable. Cet homme, que ne ferait-il pas pour rejoindre son élément naturel! Le mystère est peut-être le lieu de sa respiration.

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Nada

July 25th, 2009 | Category: navegar é preciso...

Realmente, este é o momento para se exercitar o desprendimento total. Uma atitude inteiramente ataráxica viria a calhar. Nada a desejar, nada a esperar, apenas seguir em fluxo. Esse é um exercício difícil, mas necessário.

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Crise V (Reinvenções do Eu: René Guénon)

July 14th, 2009 | Category: navegar é preciso...

Lendo Barbara Cassin, “Googléame: la segunda misión de los Estados Unidos”. Final de semestre: o cansaço, somado à crise, torna tudo mais difícil. Quem pensa que ser “pesquisador” no Brasil é fácil está muito enganado. Em meio às muitas tarefas e obrigações (esta semana já recebi um pedido de parecer para artigo e a cartinha do CNPq cobrando relatório da pesquisa “Cartografias da Cibercultura”), o que menos conseguimos fazer é ler e pesquisar. Por outro lado, neste momento preciso ler coisas que não tenham nada a ver com trabalho, mas que sejam capazes de alimentar o espírito. Assim, entabulei duas leituras altamente heterodoxas: “L’Islam et le Graal”, de Pierre Ponsoye, e “La Trahison des Clercs”, de Julien Benda. O trabalho de Benda, que é virtualmente desconhecido aqui, mas que muitos qualificariam rapidamente de “conservador”, é um libelo contra a classe intelectual. Segundo ele, os intelectuais teriam abdicado de sua função de defesa dos valores eternos e desinteressados, como a justiça, a verdade e a razão, para dedicar-se a causas particulares ou ideologias da hora. Duas leituras altamente conservadoras, portanto, já que Ponsoye é um seguidor de René Génon, representante, portanto, daquele pensamento que se qualifica com o termo “Tradição” (mas num sentido eminentemente espiritual). Sim, Guénon pode ser um conservador, mas essas qualificações muito frequentemente não fazem sentido algum para mim. Guénon interessa-me como fenômeno cultural, espiritual e intelectual. Como se pode explicar que um francês, vivendo no auge da modernidade, resolva dedicar sua vida ao estudo das tradições esotéricas e do árabe e se converta ao Islã, adotando a cidadania egípcia? Há algo de extraordinário aqui, há um magnífico processo de reinvenção existencial. Quem vê as últimas fotografias de Guénon percebe como tal processo se reflete no campo físico, em seu próprio corpo: ele se tornou um muçulmano até mesmo nas feições e na gestualidade. Um mistério que vale a pena explorar.

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Crise IV

July 11th, 2009 | Category: navegar é preciso...

“Despreocupados, irônicos e violentos: assim nos quer a sabedoria. É mulher e não ama senão guerreiros” (Nietzsche). A vida é complicada e traiçoeira. Ela tem uma tendência incômoda de nos surpreender e perturbar nossa tranquilidade quando tudo parece ir muito bem. É incrível o quanto se pode aprender (pela dor, principalmente) em uns poucos dias. Nas sucessivas crises desses dias, a constante reflexão sobre a natureza do meu “trabalho” - e da minha identidade - acabou levando-me a algumas premissas (não direi conclusões, pois nada se conclui). Quero enumerá-las na forma de um manifesto que não serve para ninguém mais…

1. é possível produzir pesquisa em grupo, mas jamais um pensamento. Ele é sempre, necessariamente, da ordem do individual;

2. não terei nada de interessante a dizer que não seja dessa ordem essencialmente pessoal. Contudo, num modo paradoxal, é preciso separar esse pensamento (individual) da figura de seu autor. Minha biografia e minhas vicissitudes interessam apenas episodicamente à compreensão desse pensamento. Ele deve nascer, portanto, como uma espécie de epifania, como se viesse a mim de outro lugar, de um reino que me é simultaneamente familiar e profundamente alheio;

3. a qualidade do que penso importa muito pouco - e não cabe a mim julgá-lo. Na verdade, uma eficaz arma contra a vaidade é não julgar e tampouco creditar novidade ou brilhantismo a uma idéia. Como no autor bíblico tomado pelo Espírito Santo, é preciso acreditar numa espécie de potência das ideias que toma o autor e as “incorpora” (esse era, em alguma medida, o credo literário de Borges). Também não existe nada de original no mundo, exceto, talvez, um modo diferenciado de dizer o mesmo (novamente Borges);

4. não há justificativa de qualquer natureza para pensar, para escrever ou para ler - tudo nasce de um impulso que não se pode renegar. Se não nascer desse impulso (como a pergunta de Rilke: “você morreria se fosse impedido de escrever?”), nenhuma dessas atividades é autêntica. Explicar talvez seja importante, mas mais vital ainda é perguntar;

5. “vaidade das vaidades… fazer livros em excesso entristece a carne”…o pensamento tem de ser recheado com vida, com sentimento e intuição. O reino de um pensamento puro é um esqueleto sem carne;

6. há uma espécie de cansaço (consigo mesmo, com o cotidiano, com a ordem) que é produtivo. Dele nascem uma tranquilidade e uma potência que podem servir ao pensamento;

7. os autores com quem dialogo não me pedem fidelidade nem concordância; apenas respeito. A citação é a arte mais difícil: na casa do pensamento ela tem que ser fundamento e não adereço;

8. somos anões nos ombros de gigantes… (Bernardo de Chartres);

9. é vital não se levar a sério; esquecer isso - bem o sei - pode ser fatal. Despreocupados e irônicos…assim nos quer a sabedoria

10. a ignorância e a fraqueza recordam ao pensamento a sua dimensão radicalmente humana. Só em Deus, todo pensamento é ato…

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Simulacro

March 11th, 2009 | Category: navegar é preciso...
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Fazendo um flashback da ida a Las Vegas (pois não há muito o que falar de Nashville), eis algumas imagens de lá. Este é o Venitian, perfeito exemplo das paisagens simulacrais descritas por Eco e Badrillard em suas viagens pela América.
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