Apr 12
O Dia em que Critiquei Andrew Keen no Twitter…
Semana passada, na falta de algo melhor para fazer, decidi escrever (em inglês) algumas observações sobre gente que sigo no Twitter. Comecei explicando que me interessa acompanhar o que acontece nos extremos do espectro do pensamento sobre as novas mídias, daí a razão de acompanhar Pierre Lévy e Andrew Keen. Como manda a netiqueta, fiz algumas críticas à superficialidade das abordagens de Keen, mas sem colocar a “@” na frente de seu nome (a frase era apenas uma impressão de leitura e sem qualquer intenção de provocar polêmica com o autor do livro). Contudo, qual não foi minha surpresa ao receber uma resposta do conhecido detrator da cibercultura, que provavelmente acompanha qualquer referência a seu nome nos domínios do Twitter. No fim das contas, gostei da atitude do Keen. Mostrou-se democrático e com espírito esportivo, o que mitiga bastante a má impressão que tive ao ler sua obra. É um sujeito inteligente e de grande verve. Se fosse brasileiro, diria que é um representante da nossa antiga (mas ainda muito viva) tradição polemista. Mas por que diachos ele tem que ser tão moralista?
No commentsMar 17
Como Escrever Títulos Bombásticos para Obras sobre Cibercultura
[da série "como fazer sucesso através da picaretagem elegante"]
- Nenhum bom livro sobre as novas mídias é completo sem o uso do termo “revolução” e seus derivados. Acompanhado do indefectível “como”, ele é absolutamente fundamental para o sucesso de um manual da cibercultura. É algo como a referência aos tempos de outrora para os enredos das escolas de samba. Hoje, quem não revoluciona se estrumbica! E afinal, existe revolução para todos os gostos. Até mesmo para os capitalistas mais ferrenhos, que agora podem serem “revolucionários”, não, evidentemente, da ordem social, mas pelo menos de algum modelo de negócios. Diga-se a verdade: atualmente, poucos fenômenos culturais são mais interessantes e curiosos que a literatura de “auto-ajuda” empresarial. Em que outro momento da história da humanidade serial possível pensar um livro como “Jesus, o maior gerente de todos os tempos” ou coisas do tipo “o monge e o empresário”? Entoar mantras ao mesmo tempo que se aplica uma graninha na bolsa de valores é, isso sim, o crime perfeito, combinando satisfação espiritual e material sem nenhum constrangimento. Títulos como esse me fazem imaginar o autor como o indivíduo idealmente adequado à aplicação daquele princípio expresso em adesivos de automóveis nos EUA: “Jesus loves you, everybody else thinks you’re an asshole!”. Mas voltando ao revolucionário: se você não conseguir pensar em nada realmente significativo para revolucionar, pode ao menos inventar uma palavra nova e sonora, como, por exemplo, “Wikinomics” (what the f.??). Aliás, “nomics” é uma terminação do tipo “pau para toda obra”. A gente nunca se cansa dela. Por que não um “Twitternomics”? Ou então um “Orkutnomiks”?
- Não basta bagunçar o coreto. É preciso mudar “tudo”, tudinho mesmo. As novas mídias têm que ser vistas como um fenômeno tão extremo que seja capaz de levar as pessoas a atitudes verdadeiramente radicais, como a Britney Spear passar a usar calcinhas ou o Lula começar a emitir frases lógica e gramaticalmente coerentes. Também é bom que essa revolução seja caracterizada como um “segredo”. Sim, aí temos outra palavra sempre eficiente, já que todo mundo curte um bom segredo. “Como ficar rico escrevendo Blogs: os Segredos dos Blogueiros Famosos”. Não há como negar que tais segredos efetivamente existam. O sujeito que escreveu o livro anteriormente citado ficou rico. Talvez vocês se lembrem daquele livro (depois transformado em filme) cujo título era simplesmente “O Segredo” e que estourou por aqui faz poucos anos. Absolutamente genial! Econômico, elegante e ao mesmo tempo bombástico! O segredo de “O Segredo” era convencer todo mundo de que ali existia mesmo um tremendo e importante segredo.
- Analisemos esse outro título: “Get Rich Quick with Social Media Marketing”. De fato, “Social Media” é outra dessas expressões “catchy” que estão na moda. O sonho de muitos usuários das novas mídias (inclusive deste que vos escreve) é começar adquirindo capital simbólico, para em seguida conquistar capital de verdade mesmo através da popularidade de seus domínios no mundo virtual. E eu sei que vou ficar rico algum dia, basta continuar escrevendo textos como este e recheá-los de termos como “viral”, “meme”, “convergência”, “transmídia” e assemelhados. O que é bacana é que o leitor nem precisa entender essas palavras (aliás, é até melhor que não entenda), basta achar que elas soam bem. Eu, por exemplo, adoro a sonoridade de “meme”. Sempre faço, inclusive, uma estranha associação mental de “meme” com o rosto de um bebê bem rechonchudo (não sei por quê).
- E o que dizer desses títulos também econômicos, mas tão cheios de poder sugestivo como “A Cauda Longa”? Não há como não adorar isso, em meio às múltiplas associações mentais que podem nascer dessa feliz expressão. Ops, acabo de achar no Google a frase “Como a Cauda Longa está Mudando Tudo”! Em outro site, encontro o seguinte questionamento: “Será a cauda longa um mito?”. Não, meus amigos, a cauda longa é muito real, e já a vi, ao vivo, com esses olhos que a terra há de comer. Entretanto, devemos assinalar que essas são exceções. O caminho mais fácil é direto para um bom título de obra de divulgação é pensar em algo extenso e misterioso ao mesmo tempo. Muitas palavras com o poder de dizer muito pouco. Nesse sentido, bons exemplos talvez sejam as obras de Andrew Lih, “The Wikipedia Revolution: How a Bunch of Nobodies Created the World’s Greatest Encyclopedia” (a boa e velha “revolução”!) e Clay Shirky, “Here Comes Everybody: the Power of Organizing without Organizations”. Se foram “Joões-Ninguém” que inventaram a Wikipedia e se realmente é possível organizar-se sem organizações, então por que você também não pode faturar uma boa grana escrevendo um novo manual sobre a revolução das novas mídias? Eu ainda acredito em Papai Noel. E você?
p.s: se você curtiu este texto, dê uma olhada na discussão mais séria (e acadêmica?) do assunto em meu outro blog.
Mar 11
Ah, as delícias da vida na academia…
Esta semana, vivenciei uma experiência bastante desagradável, cuja natureza me levou à decisão de comentá-la neste blog. Um doutorando de uma instituição localizada em outro estado convidou-me para integrar sua banca de examinadores (não, a elegância não me permite revelar o nome dessa instituição). Apesar de a data não ser das mais favoráveis, aceitei com gosto o convite. Já conhecia o doutorando – pessoa de grande seriedade, talento e densidade intelectual –, bem como seu orientador, um dos maiores pesquisadores da comunicação no pais, segundo minha opinião. Na maioria dos programas de pós-graduação, as bancas de mestrado e doutorado são escolhidas pelo candidato e seu orientador, em comum acordo. Contudo, entre as diversas peculiaridades dessa instituição específica está o fato de que ali nem orientando nem orientador tem livre escolha sobre os integrantes da banca. O candidato tem que preparar uma lista de possíveis participantes em ordem de prioridade e apresentá-la ao colegiado do programa, que possui o privilégio divino de vetar nomes ou alterar ordens de preferência. Pois bem, depois de várias negociações em relação à data e composição da banca, recebo um constrangido email do candidato informando-me que o colegiado havia, por razões inexplicáveis, saltado meu nome e homologado como integrantes da banca as opções secundárias de sua lista – pesquisadores da maior competência, sem dúvida, e um deles inclusive grande amigo meu. Entretanto, sem qualquer justificativa para a atitude, o direito de escolha do candidato e do orientador fora menosprezado, criando uma situação desagradável para o futuro doutor e uma indisposição desnecessária com o antigo doutor “desconvidado” em relação à instituição. Neste momento, não vale a pena investigar qual das patologias características do nosso sistema acadêmico tal atitude nos revela. Mais apropriado é simplesmente apontá-lo como um dos muitos sintomas localizados que exprimem, porém, um quadro de problemas mais amplo. Nessas horas é que me pergunto por que, afinal de contas, decidi retornar ao Brasil…
No commentsDec 29
NY - D2
Após o fracasso da mostra sobre Tim Burton no MOMA (estava sold out), fiquei passeando na 5th Avenue e na Times Square. Depois, seguindo indicações do concierge do hotel (bad idea), fui ver a estátua da Liberdade. Atravessei a Brooklin Bridge a pé, mas não achei o ferry para a estátua. O frio estava insuportável, comecei a passar mal (e já peguei mais frio em Chicago, mas nunca me senti como hoje). Queria ir a Williansburg a pé, mas vi que seria andar muito e estava passando em partes suspeitíssimas do Brooklyn. Acabei num ônibus, totalmente perdido, saltei numa estação do subway e voltei. Fiquei andando então por little Italy e comi um canoli pela primeira vez. Bom, mas muito doce. Daí fui andando pelo Soho e parei numa loja de uma empresa japonesa que está fazendo o maior sucesso aqui: Muji. Cena típica dos tempos hipermodernos: loja japonesa em nova Iorque tocando chorinho. Comprei um pulôver e voltei para o hotel. Cansei. Volto daqui a pouco de trem para Philli. Hoje eu realmente virei um picolé.
Dec 29
NY - D1

Dec 29
Pod hotel

Dec 25
Philadelphia
Entao: nao ha muito sobre o que escrever em Nashville. Por isso o silencio desses dias. Para completar, no computador da Emanuelle nao consigo usar acentos. Contudo, estaremos partindo domingo para o encontro da MLA em Philadelphia. Nunca tinha ido a Philadelphia. Alem disso, resolvi usar a proximidade de Philadelphia para passar dois dias em Nova Iorque. De trem, chega-se a Penn Station (NY) em apenas 1h20 min. Dai, entre 28 e 29 de janeiro devo estar na Big Apple. Ja tenho algumas ideias do que fazer. O problema vai ser o frio de rachar que vai estar la. Enquanto isso, aproveito as lindas paisagens rurais aqui de Nashville e a companhia da irma. Sim, nao ha muito o que se fazer em Nashville (alem de compras em shopping centers), mas as pasiagens sao lindas, as casas sao espetaculares e a quantidade de “espacos vazios” na America rural sempre me maravilha. Na televisao, assisto a um novo reality show que estou adorando: “Steven Seagall, Lawman”. Descobri que, alem do seu ” trabalho” no cinema, Seagall tem sido xerife da policia de Jefferson County, Louisiana, por 20 anos. Agora resolveram fazer um reality show sobre isso. E uma coisa fantastica: o Seagall prendendo gente e eles pedindo autografo de algemas e tudo. Reality TV can’t get any better than this… Os americanos celebram Natal dia 25, por isso tivemos um almoco na casa da irma do meu cunhado. Os filhos dele, Madi e Jason, sao as criancas mais fofas que ja conheci. Toda a familia e muito simpatica (pelo menos segundo os padroes americanos) e, naturalmente, eles tem muita curiosidade sobre o Brasil. Naturalmente, procuro filtrar um pouco as informacoes. De todo modo, o ritmo da vida aqui e bem diferente, tanto do Rio de Janeiro quanto da outra America que conheci bem quando morava em LA. E a terceira vez que venho a Nashville, e aos poucos esse lugar vai me encantando. Ate ja estou me acostumando com o sotaque do sul…
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